quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Honra: uma virtude esquecida

A Honra: uma virtude esquecida

Por Jurandir Dias

Nossa sociedade vive uma crise sem precedentes na história da humanidade. A desonestidade paira em todos os campos, especialmente na política. Os casos de prisões pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, por exemplo, são prova disso. A causa dessa crise é a perda de valores morais, especialmente da honra.

Chegamos a esse ponto devido a um processo multissecular que vem desde a decadência da Idade Média até os nossos dias. Tal processo foi magistralmente exposto pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro Revolução de Contra-Revolução.[1]

O cavaleiro medieval

A Fé e a Honra são os traços marcantes do cavaleiro medieval
A honra era um sentimento que dominava e impregnava toda a vida social na Idade Média. A Cavalaria inspirou esse sentimento em algumas instituições poéticas, especialmente nos trovadores. Hoje, quando se quer dizer de um homem que ele possui a plenitude das qualidades do varão católico, diz-se que ele é um cavaleiro. Tal qualidade, infelizmente, também está em vias de desaparecer por causa do igualitarismo que nivela por baixo as pessoas, inclusive igualando os sexos feminino e masculino. Já não se tem o respeito que se deve a uma moça ou senhora.

O homem tinha muito respeito pela palavra empenhada nos negócios. Assim, por exemplo, no Brasil do século XIX havia pessoas que, como garantia, davam um fio de barba. A outra parte do negócio tomava aquele fio e o guardava num envelope, restituindo-o quando a dívida fosse quitada. O fio de barba valia mais do que a assinatura sobre o contrato escrito. Era o próprio contrato, pois com este gesto o devedor empenhava a sua honra; era a garantia de que cumpriria o seu compromisso.

Prisioneiro da honra

Guerra dos Cem Anos – Batalha de Crécy
 Manuscrito de Jean Froissard
Em uma aula sobre a Idade Média, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira conta a história de um senhor feudal francês que havia sido preso pelos ingleses na guerra dos Cem Anos. Exigiam dele certa quantia de resgate para que fosse posto em liberdade. Ele disse então:

— Eu não tenho dinheiro.
— Mas você tem o tal castelo que poder nos ceder.
— Não posso, porque esse castelo, eu empenhei minha palavra, pertence a fulano.
— Mas há outro castelo.
— Também não posso. Empenhei minha palavra, pertence a sicrano.
— Mas há tal coisa assim a que você tem direito.
— Não posso porque isso é de meu suserano. Tenho também minha palavra empenhada.
— Então você não pode nada?
— Não, em virtude das leis da honra, eu não posso nada. Não dou nada e continuo prisioneiro.

Este homem – comenta o Prof. Plinio – era prisioneiro apenas de sua honra. Os ingleses estavam dispostos a fazer com ele qualquer negócio, assinar com ele qualquer papel que lhes desse um pretexto para tomar esse castelo. Mas ele estava preso por uma prisão maior que todas as outras prisões: ele tinha sua palavra de honra.[2] (grifos nossos)

A honra é um dos maiores bens humanos. As pessoas, no empenho de manter a honra, são levadas a evitar o mal. Ela “liga-se à virtude da fortaleza através da magnificência, a qual fortalece a alma para empreender grandes feitos. De modo especial através do pudor, ela liga-se à virtude da temperança, a qual modera as inclinações do homem para que ele aja segundo os ditames da razão. Do mesmo modo a honra está ligada à virtude da justiça através da virtude da religião que nos manda respeitar os superiores.”[3]
 “A honra autêntica é o brilho da virtude, sua aura. É o eco da virtude na sociedade, o sinal de que ela é reconhecida e admirada. Ali onde a virtude está condenada a ficar sem eco e, portanto, sem brilho, ela não é acessível senão a alguns grandes solitários. De onde a necessidade de se continuar a cultivar a honra. A honra é uma intermediária necessária entre os ideais e o comum dos mortais.”[4]
Não há honra onde não há verdade nem justiça
No final da guerra do Vietnã, o representante do Vietnã do Sul foi pressionado a assinar um acordo de paz. Após a assinatura, num ato de repúdio àquele acordo, ele jogou a caneta no chão. Sobre isso, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu na Folha de São Paulo:
Nixon, discursando para seu país e para o mundo, asseverou que o acordo de Paris entre os dois Vietnãs podia ser considerado o início de uma paz com honra. O que há de real nessa afirmação?
Comecemos pelo que diz respeito à honra. Não há honra onde não há verdade nem justiça. Afirmou-se que aquele acordo foi feito sob a égide da justiça. Ora, isso não é verdade. (grifo nosso)
A justiça exige, num acordo em que se afirma não haver vencedores nem vencidos, uma inteira igualdade entre as partes. Ora, a desigualdade, no caso concreto, não podia ser maior.
É explicável – pelo menos sob certo ponto de vista – que se realize um plebiscito para saber se o povo do Vietnã do Sul quer a continuação do atual regime. Mas, então, por que não se organiza também um plebiscito para averiguar se o povo do Vietnã do Norte deseja a continuação do regime comunista?
Se os EUA retiram suas tropas do Vietnã do Sul, por que não faz o mesmo a outra parte beligerante? Em outros termos, por que os norte-americanos não têm o direito de estar no Vietnã do Sul, mas se admite que, depois do armistício, ali se encontrem aglutinados em incontáveis bolsões, os guerrilheiros do Vietnã do Norte?
Num acordo em que tais disparidades – para não falar senão destas duas – se ostentam desinibidamente, ninguém pode falar de honra. E afirmar que esse início de paz é baseado na honra, é pura e simplesmente uma inverdade.
Aliás, este acordo nem sequer constitui um genuíno acordo. Quando ele foi assinado, todos previam que não daria início à paz, mas simplesmente à retirada dos norte-americanos. E aí estão os fatos. Mal serenadas (por quanto tempo, ninguém o sabe...) as hostilidades no Vietnã, Pequim e Hanói se saem com uma investida contra o governo anticomunista do Camboja, e exigem tanto a restauração do governo pró-comunista de Suvana Phuma quanto a retirada das tropas americanas.
Todos os que celebraram esse "acordo", pelo mundo afora, com discursos e festas possuem de sobejo os elementos para medir a precariedade desse acordo. Eles comemoraram com a mais contraditória das alegrias um início de paz com honra, que nem promete uma verdadeira paz, nem se fez segundo a honra.
De minha parte, acho infinitamente mais lógica a atitude do representante do Vietnã do Sul que, depois de haver assinado o acordo sob pressão brutal dos acontecimentos, jogou a caneta ao chão...”[5]
Uma frase de Churchill se tornou célebre quando os primeiros-ministros da Grã-Bretanha e da França – respectivamente, Chamberlain e Daladier – celebrara o Pacto de Munique com Hitler, em 1938: ‘Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra, e terão a guerra’.
A infâmia e a ignomínia são contrárias da honra
Por aí se veem as consequências desastrosas da perda do sentido da honra. Para possuí-la totalmente o homem precisa praticar todas as virtudes. Neste sentido, a honra é a beleza espiritual que reluz na conduta do homem virtuoso.[6]
O contrário da honra é a infâmia ou ignomínia. Diz a escritura: "A glória será o prêmio do sábio, a ignomínia será a herança dos insensatos”. (Provérbios 3, 35)
Nos dias atuais, entretanto, o homem em sua hipocrisia vai além e se jacta da sua própria degradação. Chega-se às vezes a zombar das virtudes e da honra.
Os heroicos Macabeus que no Antigo Testamento lutaram contra os erros de sua época tinham como lema: “É melhor morrer do que viver em uma terra devastada e sem honra”. Mas nós, que temos a honra de sermos católicos apostólicos romanos e que fomos resgatados pelo Sangue preciosíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos méritos de sua Paixão e Morte na Cruz, preferimos dizer: “É melhor lutar do que viver acomodado em uma civilização devastada e sem honra!

domingo, 26 de novembro de 2017

MST rejeita terra doada para fins de reforma agrária

MST rejeita terra doada para fins de reforma agrária
Por Jurandir Dias

Em 2003, Gilberto Gil, compositor e ex-ministro da Cultura do governo Lula, doou uma propriedade ao MST na zona rural de Cravolândia (BA), a cerca de 300 quilômetros de Salvador. Localizada próxima à Fazenda Palestina, antiga produtora de café para exportação transformada pelo governo num assentamento de 4,3 mil hectares, a propriedade, contudo, continua sem moradores.
Largaram mão e o capim tomou conta. Tem carrapato de matar com o pau. Antigamente era café, laranja, manga, muita fruta que tinha aqui. Jaqueira, gado… Hoje, está tudo largado”, disse Florisvaldo, um pequeno proprietário que se dispôs a acompanhar uma equipe de reportagem da Folha de São Paulo até o local.
A direção do MST alega que o abandono da propriedade doada para fins de reforma agrária se deve ao tamanho e às dificuldades de acesso, e também porque não houve investimentos em infraestrutura: “De acordo com a direção do MST no Estado, a área doada por Gilberto Gil não comporta um assentamento de reforma agrária, as informações que temos apontam que o sítio possui entre 40 a 70 hectares. Esse processo pode ser confirmado com o Incra, órgão responsável pelo processo de desapropriação. Além disso, existem diversas dificuldades de acesso, tendo em vista que historicamente não houve investimentos em infraestrutura”[i] (grifo nosso)
Em 2015, a Fazenda Cedro, localizada no município de Marabá, no sudeste do Pará, foi invadida pelo MST, que abateu cerca de 30 animais de alto valor genético, queimou casas e equipamentos.
Segundo o site g1.globo.com , “de acordo com os funcionários da fazenda, cerca de 80 homens armados e encapuzados participaram da invasão ao local, rendendo seguranças e funcionários.
“Essas pessoas entraram já atirando e já colocando fogo nas casas. Já iam roubando, saqueando e outros iam queimando. Eles cercaram os seguranças e teve o confronto. E desigual, porque temos apenas quatro seguranças e eles eram mais de 80 pessoas”, relata uma testemunha que não quis se identificar.
“Onze casas foram totalmente destruídas, além de uma motocicleta e um trator.” [ii]
Em outra ação criminosa, desta vez em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, com a participação de mil mulheres, o MST destruiu aproximadamente 1,2 milhão de mudas de pinus de um viveiro do Projeto Quatro, da Araupel.
A invasão aconteceu na madruga do dia 8 de março de 2016, numa ação relâmpago que causou um prejuízo estimado em R$ 5 milhões. [iii]
“Mais de mil mulheres, armadas com machados, facões e pedaços de pau, impediam a saída de quem estava na empresa. Em poucos minutos, o grupo pichou muros, placas e também as estufas, onde são realizados os testes. Um vídeo, divulgado pelo próprio movimento, mostra as mulheres derrubando plantas e depredando a estrutura dos viveiros. A ação faz parte da jornada nacional de lutas das mulheres no campo”, afirma a reportagem do site da Globo. [iv]
Esses são apenas alguns exemplos de ações do chamado “Exército do Stédile”. Se o leitor se der o trabalho de pesquisar no Google, verá páginas e páginas de notícias referentes a invasões e vandalismo desse movimento.
O Brasil possui uma área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com cerca de dois terços delas constituídos de terras devolutas. A Reforma Agrária poderia ser feita nessas terras, mas o MST alega “dificuldade de acesso” e “falta de infraestrutura”.  Contudo, as terras devolutas começam onde terminam as propriedades particulares.
Os fatos provam que o MST não quer terras para trabalhar, mas deseja apenas desestruturar a economia agrária, uma das mais fortes do País. Ele o faz levando o caos social ao nosso campo, invadindo propriedades, danificando o patrimônio particular, matando o gado, roubando e destruindo as plantações.

[ii] http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2016/01/policia-investiga-ataque-fazenda-cedro-em-maraba.html
[iii] www.abim.inf.br/exercito-do-stedile-barbaridade-odio-e-impunidade/

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Coisa de preto, coisa de República, coisa de Dilma...

Coisa de preto, coisa de República, coisa de Dilma...

Por Jurandir Dias

Há dias atrás repercutiu largamente no noticiário nacional e internacional o caso de William Waack, jornalista da Globo, acusado de racismo e afastado de suas funções por causa da infeliz expressão “coisa de preto”.

Tudo começou há um ano quando William Waack, então âncora do Jornal da Globo, anunciava a vitória de Donald Trump nas eleições americanas.  Antes de entrar ao vivo, mas com as câmeras e microfones ligados, ele se irrita com o som de buzinas vindo da rua, diz alguns impropérios e exclama: “fazer isto é coisa de preto”.

No dia 07 de novembro p.p., William Waack, no Jornal da Globo, a propósito do centenário da revolução russa,  exibia fotos de Leon Trotsky, Stalin e Lenin, sobre os quais comentou: “Cem anos atrás nem eles achavam que poderiam se manter no poder em Moscou, mas conseguiram. Conseguiram às custas das liberdades que diziam defender. Lenin iniciou um dos mais bárbaros, sanguinários e opressores regimes da história da humanidade. A Revolução Russa levou à criação do que foi o maior estado do século XX: a União Soviética. Este estado implodiu em 1991 sob o peso da própria incapacidade de fazer a economia funcionar.(...) A revolução russa prossegue sendo um símbolo poderoso. Não é à toa que a gente escolheu este símbolo (a bandeira da União Soviética) para que vocês vejam, confiram.  A bandeira da União Soviética não existe mais. Ela é o símbolo de que utopias interpretadas e conduzidas por partidos políticos que acham que sabem o que é melhor para as pessoas. Essas utopias terminam em regimes repulsivos e totalitários. O russos deram pouca atenção hoje à data.”

Coincidência ou não, no dia seguinte a esse comentário,  “vazou” na imprensa aquele de um ano atrás e em seguida o jornalista foi dispensado de suas funções. Isto parecia uma carta guardada na manga para usar no momento propício.

O fato foi motivo de comentários de especialistas e jornalistas, entre os quais destaco o do  prof. Paulo Cruz, mestre em Ciência e Religião:

 Mas as palavras de Waack não fazem dele um racista. Eu diria assim: todo racista diz aquilo, mas nem todos que dizem aquilo são racistas. Esse tipo de estupidez está no imaginário brasileiro há mais de um século. E mais: não sem um fundo de verdade. Acompanhe meu raciocínio, caro leitor.
“Após a proclamação da República, os republicanos sepultaram a esperança dos negros, lançando-os na mais absoluta marginalidade.

“No fim do século 19, o movimento abolicionista pedia o fim da escravidão sem indenização aos fazendeiros; os novos cidadãos livres é que seriam auxiliados. Para isso, André Rebouças escrevia sobre reforma agrária, e a princesa Isabel, principal aliada do movimento, coordenava um projeto de indenizações aos ex-escravos. Em carta reveladora ao Visconde de Santa Vitória (sócio do Barão de Mauá), agradece a intenção do banqueiro em colaborar com a causa.

Princesa Isabel
“O problema é que, um ano e seis meses após a assinatura da Lei Áurea, um golpe militar minou o projeto abolicionista. A família imperial foi expulsa do país e os republicanos sepultaram a esperança dos negros, lançando-os na mais absoluta marginalidade. Joaquim Nabuco, numa carta a Rebouças em 1893, disse: ‘Com que gente andamos metidos! Hoje estou convencido de que não havia uma parcela de amor do escravo, de desinteresse e de abnegação em três quartas partes dos que se diziam abolicionistas. [...] A prova é que fizeram esta República e depois dela só advogaram a causa dos bolsistas, dos ladrões da finança, piorando infinitamente a condição dos pobres. É certo que os negros estão morrendo e, pelo alcoolismo, se degradando ainda mais do que quando escravos, porque são hoje livres, isto é, responsáveis, e antes eram puras máquinas, cuja sorte Deus tinha posto em outras mãos (se Deus consentiu na escravidão)’

“Em resposta, Rebouças também lamenta: ‘Ah, meu bom Nabuco, que erro irreparável foi desviar o Brasil da evolução democrática iniciada pela Abolição, para lançá-lo no redemoinho das revoluções incessantes e intermináveis”. Posteriormente, o sociólogo marxista Florestan Fernandes, mesmo atribuindo a condição do negro única e exclusivamente a fatores externos, diz que “muitos agiam como ‘desordeiros’, provocando repetidamente ‘forrobodós’ nos cortiços, pela madrugada, ou dentro de seus cômodos’.  (grifos nossos)

“Ou seja, associar “coisa de preto” à desordem reflete, infelizmente, a postura do próprio negro perante os desafios e impossibilidades que se impuseram no pós-abolição. Perpetuar essa mentalidade é um horror, mas não pior que perpetuar a “cultura de gueto”.[i]

O caso de William Waack nos trouxe algumas lições: aprendemos um pouco de história e vimos como a nossa República é como o demônio, ou seja, ela não dá o que promete. Aprendemos também que o PT, o Lula e a Dilma se consideram “coisa de preto”. Assim, em sua conta no Twitter, no dia 13 p.p., Dilma se expressou de um modo inegavelmente racista: “Esse foi um pensamento que tive depois do caso do William Waack. Você sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto”. Isto, contudo, é coisa de Dilma.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto

A Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto





Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF decidiu que não é crime o aborto realizado durante o primeiro trimestre de gestação, seja qual for o motivo que leve a mulher a interromper a gravidez. Votaram favoráveis ao aborto os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber.
Paradoxalmente, na mesma época o STF pretendia proibir a famosa vaquejada do Nordeste, alegando “maus tratos nos animais”. Por seis votos a cinco, a Suprema Corte decidiu que a lei cearense que regulamentava a prática da vaquejada era inconstitucional.
Os vaqueiros, entretanto, “garantem que a prática nos últimos 10 anos foi regulamentada a fim de assegurar a proteção dos animais, o que é fiscalizado por veterinários.[i]
Durante conferência realizada em Brasília no dia 27 p.p. sobre perspectivas de reforma institucional, Gilmar Mendes aproveitou a ocasião para provocar o ministro Luís Roberto Barroso, um dos que votaram pela liberação do aborto:
Parte desse grupo que votou na vaquejada conduziu uma decisão que tentava introduzir o aborto no Brasil, dizendo que aborto até três meses, sem decisão do plenário, seria legítimo, num caso que discutia não o tema diretamente, mas excesso de prazo para pessoa que praticou aborto. A decisão poderia ter sido favorável à pessoa, pelo excesso de prazo, mas não precisava entrar no tema. Entrou no tema, porque se viu possibilidade de fazer maioria. De vez em quando nós somos esse tipo de Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto”.[ii] (grifo nosso)
O Ministro tem razão: “esse tipo de Corte” que vota a favor do aborto é capaz de colocar na cadeia uma pessoa que destruir um ovo de tartaruga, por exemplo, ou matar um animal selvagem para saciar a  própria fome. Será que esses homens “iluminados” não percebem a contradição que há em suas decisões? Ou para eles a vida de um animal é mais importante do que a do ser humano?
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domingo, 29 de outubro de 2017

“Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”

“Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”



Um juiz de Porto Alegre indeferiu o pedido de cancelamento da peça blasfema “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” alegando o princípio da liberdade de expressão. A apresentação traz uma infame narrativa da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentando nosso Divino Salvador como uma “mulher transexual” que endossa e incentiva esta condição.
Ultimamente tem havido uma série de apresentações em museus e teatros com conteúdos ofensivos à religião, sempre sob a égide da liberdade de expressão, que se transformou assim numa via cujo destino final é a destruição dos valores cristãos. Os responsáveis por tais apresentações se esquecem, no entanto, de que o mesmo dispositivo legal que trata da liberdade de expressão também defende a liberdade consciência – dois tipos de liberdade que, neste caso, afiguram-se conflitantes.
A propósito da exposição Queermuseu  – Cartografias da diferença na América Latina, promovida pelo Banco Santander em Porto Alegre, escreveu o jornal “O Estado de S. Paulo”: “A liberdade de expressão do pensamento não raras vezes entra em conflito com os limites da razão e da sensibilidade. Quando isto ocorre, frequentemente, levantam-se vozes eloquentes em defesa do direito à liberdade de expressão em detrimento de valores importantes dos indivíduos, acarretando enormes e injustificáveis riscos aos costumes e à cultura jurídica.” [i]
Alguns defensores da liberdade de expressão chegam a ponderar “que a liberdade de expressão deve valer-se do bom senso, também chamado de razoabilidade, para evitar possíveis polêmicas, ofensas, discussões, danos morais e condenações.”[ii]
Em nome da liberdade de expressão, também o Museu de Arte Moderna de São Paulo promoveu uma apresentação onde uma mãe e sua filha de quatro anos passavam as mãos sobre o corpo de um “artista” completamente nu, deitado no solo. O fato causou indignação e revolta de manifestantes em frente ao museu e nas mídias sociais.
Robert Simpson, doutorando em filosofia pelo Somerville College, Oxford, afirma que “em uma sociedade que valorize a liberdade de expressão, ser ofendido pelo discurso de outros é um dos preços que é preciso pagar.” E continua: “Uma coisa é ofender uma pessoa de forma acidental quando criticamos suas crenças mais arraigadas. Outra coisa é ridicularizar ou denegrir as convicções das pessoas repetidamente de forma calculada numa tentativa de fomentar ódio, ressentimento e humilhação. A distinção liberal entre dano e ofensa desenha uma imagem nitidamente dividida do relacionamento social:  às vezes estamos vivendo nossas vidas e perseguindo nossos objetivos, outras vezes estamos atuando de forma hostil e com más intenções.” [iii]
Alessandra Amato, no artigo “Os Limites da Liberdade de Expressão”, observa que a verdadeira liberdade de expressão não existe:
Se observarmos o mundo, a ideia central é que não há uma verdadeira e objetiva liberdade de expressão.
O pensamento, a opinião de cada um de nós é pré-determinada, enraizada nos nossos modelos familiares, educacionais, culturais e ideológicos, não esquecendo da educação escolar e da religião, o grupo e o meio social, assim, como as informações úteis ou não dos meios de comunicação.
 A liberdade de expressão deve respeitar os limites éticos, morais, sociais e familiares, deixando de lado, e não confundindo com a imoralidade, palavras de baixo calão, ou qualquer forma e pensamento destrutivo de conceitos como o respeito, a dignidade humana, as opções das pessoas, não tornando, portanto, um meio prejudicial e danoso.”
Observamos no Brasil, um equívoco em relação à liberdade de expressãoA televisão brasileira, por exemplo, ao se expressar, distorce notícias, condena pessoas, estimula a sensualidade precoce, a mentira, a nudeza infidelidade conjugal, etc. Cadê os órgãos públicos fiscalizadores?” 
 E conclui: “Não podemos confundir a liberdade de expressão com a degradação, banalização e inversão de valores, o que infelizmente vem ocorrendo”. [iv] (grifos nossos)
A liberdade sem freios pode levar a extremos que culminarão na anarquia total. A Revolução de 68 na Sorbonne, em Paris, e o Festival de Woodstock, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 nos Estados Unidos, são exemplos disso. Essa liberdade traz em seu bojo o amor livre, o homossexualismo, o aborto etc. Assim, a tão propalada liberdade de expressão tem sido usada como uma palavra-talismã carregada de um espírito revolucionário que vem desde os enciclopedistas do sec. XVIII, quando sonharam com o ideal de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Madame Roland foi guilhotinada
no dia 08 de novembro de 1793
 pelos Girondinos, no período do Terror,
durante a Revolução Francesa

“Assim – afirma o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira –, desde que se excite ao máximo em um paciente, por meio de uma hábil propaganda, a paixão da liberdade, pode-se criar nele a apetência desordenada de um estado de coisas em que não haja poder público nem leis. A natureza humana decaída tende facilmente para tal. E os germes ideológicos legados ao mundo pela Revolução Francesa estão carregados de estímulos nesse sentido. Ora, este é também o termo em que, segundo os doutrinadores do marxismo, deve desfechar em sua fase final o Estado totalitário comunista”.[v]
Em nome de tal “liberdade” foram mortas milhares de pessoas pela guilhotina durante a Revolução Francesa. Foi por isso que Madame Roland (quadro ao lado), ao caminhar para o cadafalso onde seria decapitada pelos revolucionários, exclamou: “Oh liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!
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[i]http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/queermuseu-a-liberdade-de-expressao-e-os-limites-da-razao-e-da-sensibilidade/
[ii]http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10790&revista_caderno=9
[iii] http://freespeechdebate.com/pt-pt/discuss/prevenir-danos-e-permitir-ofensa/
[iv] http://investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/direito-constitucional/3855-os-limites-da-liberdade-de-expressao.html
[v] http://www.pliniocorreadeoliveira.info/livros/1965.pdf

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ideologia de Gênero: a batalha final?

Ideologia de Gênero: a batalha final?



A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o matrimônio e a família”, afirmou a Irmã Lúcia, vidente de Fátima, em uma carta enviada ao Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo de Bolonha (Itália).[1]
Em 16 de fevereiro de 2008, o Cardeal Carlo Caffarra havia celebrado uma Missa na tumba de São Pio de Pietrelcina, após a qual deu uma entrevista para a ‘Tele Radio Padre Pio’, quando lhe perguntaram acerca da referida carta.
            “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família. Não temam, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimônio e da Família sempre será combatida e enfrentada em todas as formas, porque este é o ponto decisivo”, disse o Cardeal.
O Cardeal Caffarra acrescentou ainda que, “falando também com João Paulo II, a gente podia sentir que a família era o ponto central, pois é o fundamento da criação, a verdade da relação entre o homem e a mulher ao longo das gerações. Se o pilar fundamental é transtornado, todo o edifício fica paralisado e agora vemos isto, porque estamos justamente neste ponto e sabemos”.
Concluiu o Cardeal: “E fico comovido quando leio as melhores biografias do Padre Pio a respeito de como este homem esteve tão atento à santidade do matrimônio e à santidade dos esposos, inclusive, com justificável rigor em algumas ocasiões.
As profecias e as revelações particulares nunca são feitas de modo claro. Elas não são como uma notícia de um fato acontecido, mas sim que vai ou poderá acontecer. Portanto, não revelam a data nem o modo como tal fato se dará. Só na medida em que os fatos revelados forem acontecendo e se encaixam como num quebra-cabeça é que se percebe a analogia entre eles e a profecia.
Imagem Peregrina Internacional
de Nossa Senhora de Fátima
Assim, a previsão de Nossa Senhora de Fátima em 1917,  de  que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo, não poderia ser entendida naquele contexto histórico. Não se sabia de que erros Ela falava. Tal previsão ficou evidente somente após a Revolução bolchevique e a execução da Família Imperial Russa, em 17 de julho de 1918. Hoje, porém, os erros do comunismo estão por toda parte.
Foi pensando nisso que me perguntei se essa insana ideologia de gênero já não seria a “batalha final” de que fala a Irmã Lúcia.
 *      *       *
ideologia de gênero é propriamente uma ideologia. Ela não é uma teoria ou simplesmente uma ideia maluca. Toda ideologia parte de um pressuposto, de uma premissa. A partir dela se constrói um raciocínio ou silogismo no qual se funda a ideologia. Se a ideia inicial for falsa, todo o edifício ideológico que se constrói a partir dela também será evidentemente falso. O comunismo, por exemplo, parte do princípio de que toda desigualdade é um mal. A partir daí têm-se as consequências desse princípio que são as revoluções, as mortes que ele causou e as ideologias que a partir dele surgiram com o fim de destruir a civilização cristã.
Para se combater uma ideologia com eficácia, é preciso combater antes o seu princípio inicial. A ideologia de gênero parte de dois princípios: a) o sexo é um aspecto biológico do homem e da mulher; b) o “gênero” é o sexo socialmente construído. O primeiro princípio é verdadeiro. O segundo, porém, contém o erro. E é a partir desse erro que se construiu essa ideologia.
A palavra “gênero” vem carregada da energia de uma palavra-talismã. Ela é usada em sentido diferente do seu significado etimológico, pois gênero significa coisas diferentes que têm relação entre si. Por exemplo: gênero literário, gênero musical, gêneros cinematográficos etc. As palavras têm gêneros: gênero masculino, gênero feminino e gênero neutro. O gênero delas depende do país ou da região. Assim, a palavra sangue, por exemplo, pode ser do gênero masculino em português, feminino em espanhol (la sangre) e neutro (the blood) em inglês. Os seres humanos e os animais têm sexos, e não gênero.
Se o “gênero” é definido socialmente ou psicologicamente, a pessoa pode trocá-lo sempre que desejar. O homem poderá mudar para o “gênero” feminino e, se quiser, volta a ser do “gênero” masculino. A mudança de “gênero”, contudo, não muda o sexo da pessoa porque está no DNA. Uma pessoa, mesmo após a morte, pode ser identificada se é do sexo masculino ou feminino através do seu esqueleto. Homens e mulheres são iguais na sua essência – ambos têm um corpo e uma alma –, mas são diferentes na sua constituição física.
Segundo essa ideologia sem base científica, todas as pessoas – homens e mulheres – nascem iguais. Uma das consequências desse princípio é um igualitarismo exacerbado com o desaparecimento dos sexos masculino e feminino.
A outra consequência é a abolição do único tipo de casamento verdadeiro que é entre um homem e uma mulher. O homem e a mulher são diferentes biologicamente.  É por isso que eles se complementam no casamento. Se fossem iguais, não haveria como se complementarem. Como todos são iguais, de acordo com a ideologia de gênero, qualquer “casamento” é válido. Assim, as uniões entre pessoas do mesmo sexo, as uniões com membros da própria família e até com animais – pois até lá vai essa loucura! – são válidas. Aparecem, então, vários tipos de “famílias”. O resultado será a destruição da família como Deus a instituiu.
Para “compensar” a diferença biológica entre o homem e a mulher, estabelece-se o aborto e o uso de anticoncepcionais. Isto será um “direito humano” da mulher, o qual tem que ser provido pelo Estado. Assim, afirma Lucila Scavone: “Em um primeiro momento a maternidade foi reconhecida como um handicap (defeito natural) que confinaria as mulheres em uma bio-classe. Logo, a recusa da maternidade seria o primeiro caminho para subverter a dominação masculina e possibilitar que as mulheres buscassem uma identidade mais ampla, mais completa e, também, pudessem reconhecer todas suas outras potencialidades. Por exemplo, a luta política das mulheres  francesas, nos anos 1970, para obter a pílula contraceptiva e o aborto como direito político, possibilitou a efetivação desta recusa.[2] (grifos nossos)
Vinny Ohh de 22 anos, gastou mais de US$ 50 mil
(cerca de R$ 156 mil) em 110 procedimentos
estéticos para se parecer com um “alienígena assexual”.
Tudo isso indica o fim da família e da sociedade, da qual a família é o núcleo. Teremos uma sociedade sonhada pelo demônio onde o homem já não seria a imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26). Tal sociedade se me afigura um pesadelo ou um filme de terror, com pessoas assexuadas e mais de 60 tipos de “gêneros”, segundo as mídias sociais.
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Estamos, pois, diante de uma revolução que visa mudar não só a sociedade, mas também o homem. A maioria das revoluções, contudo, foram feitas com guerras e custou a vida de milhares de pessoas. A ideologia de gênero, por sua vez, é uma revolução pacífica. Ela não usará armas letais, mas será imposta pela legislação e pelo Poder Judiciário de cada nação mediante a prisão e pesadas multas para aqueles que se opuserem. Provam-no fatos recentes acontecidos nos EEUU, na Alemanha e na Noruega.[3]
Se a ideologia de gênero for a batalha final de que fala a Irmã Lúcia, já vislumbramos em seu termo o Reino de Maria, com o cumprimento da promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!
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[2] Lucila Scavone, “A maternidade e o feminismo: diálogo com as ciências sociais” – http://www.scielo.br/pdf/cpa/n16/n16a08.pdf – acessado em 12/10/2017