quinta-feira, 17 de maio de 2018

Médicos brasileiros desmascaram a Ideologia de Gênero

Médicos brasileiros desmascaram a Ideologia de Gênero

Por Tibério Meira, Revista "Catolicismo"



No dia 5 de abril, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoveu no salão do Clube Homs, localizado na Avenida Paulista, um evento sobre a Ideologia de Gênero. Os conferencistas foram os médicos José Lima de Oliveira, cardiologista e cirurgião do INCOR de São Paulo, e José Alves Caliani, cardiologista e nutrólogo, com vasto currículo de formação em Universidades da França.

Dr. Adolpho Lindenberg (foto ao lado), presidente do Instituto, abriu a sessão apresentando os conferencistas. Contou ele que na Europa assistiu a um evento com grande número de crianças, do qual constou uma apresentação com vários artistas. Um deles se apresentou com roupa extravagante, de tal forma que visto do lado esquerdo parecia homem, e do lado direito parecia mulher. Quando falava para o lado esquerdo, tinha voz masculina; e voz feminina quando se voltava para a direita. A noção que fica por trás disso é que tanto faz ser homem ou mulher, qualquer um pode escolher seu sexo. Assim é a Ideologia de Gênero, cheia de incongruências e aberrações de toda espécie.

O Dr. Caliani (foto ao lado), primeiro orador, salientou que a Revolução se metamorfoseia, conforme aprendeu ao ler as obras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, especialmente o livro Revolução e Contra-Revolução. Lembrou um artigo do Prof. Plinio, escrito nos anos 90, no qual comentava um cacique sentado à mesa do presidente do Senado, vestido de modo tribal, com arco e flecha na mão, e comentou: “Se quisermos ver a fisionomia do neocomunismo, aí está ela”. Hoje vemos movimentos indígenas invadindo e depredando propriedades particulares em todo o Brasil, com o apoio da esquerda católica. A Ideologia de Gênero é também uma dessas metamorfoses, e o importante é vermos este assunto dentro do panorama da Revolução, para descortinarmos a Ideologia de Gênero como mais uma manifestação do comunismo.

Salientou que há muito tempo os agentes da Revolução propõem a criação de um homem novo, adaptado para viver numa República Universal. Exemplificou com vários livros, que ao longo dos séculos vêm sucessivamente propondo e aprofundando a destruição das tradições, das fronteiras, dos regionalismos naturais, e principalmente da instituição familiar. O objetivo último é estabelecer o mundo igualitário idealizado pelo comunismo, e a Ideologia de Gênero é mais um passo para se atingir esse objetivo.

O Dr. José Lima de Oliveira (foto ao lado), segundo orador, demonstrou com farta documentação que a Ideologia de Gênero não tem embasamento científico. Como médico, há mais de dez anos tem se impressionado com “a quantidade de evidências científicas que demonstram claramente o grau de malefício que essa proposta política, essa ideologia, impõe a toda sociedade, mas principalmente às crianças”.

Uma estudiosa da Ideologia de Gênero, a socióloga alemã Gabriele Kuby, afirma que essa ideologia é a expressão mais radical da rebelião contra Deus. Segundo ela, o ser humano não aceita o fato de ter sido criado homem e mulher, e por isso diz: “Eu decido! Essa é a minha liberdade!”. E acrescenta que a Ideologia de Gênero seria a perversão final do ser humano.

A revista The Lancet, a mais importante publicação médica do mundo, informou em janeiro de 2017 que o índice de pessoas com “disforia de gênero” é de 0,4% a 1,6% da população. Esse índice não justifica o alarde da mídia a respeito desse problema. Estudos demonstram que 88% dos meninos e 98% das meninas que se sentem confusos em relação ao próprio sexo, após a puberdade aceitam o sexo biológico e terão saúde física e mental perfeitas. Portanto, não faz sentido propor tratamentos hormonais e mutilações que lhes trarão problemas para o resto da vida. “É como propor um transplante de pulmão para uma pessoa com uma gripe, que passaria em uma semana” — comentou o Dr. Lima.

Um dado importante apresentado pela empresa Hayes, e confirmado pela Sociedade Americana de Psiquiatria, é que a terapia hormonal, antes e depois da puberdade, expõe o paciente a graves riscos de doença. Enquanto a expectativa de vida média dos norte-americanos é de mais de 80 anos, na população que se submeteu ao tratamento hormonal cai para apenas 47 anos.

No Reino Unido, houve nos últimos cinco anos um aumento de 1.000% em tratamento de crianças com “disforia de gênero”. “Esse tratamento foi baseado em quê?” — pergunta o conferencista. E conclui: “Na verdade, é um abuso infantil condicionar crianças a acreditar durante uma vida inteira que a personificação química do sexo oposto é normal e saudável ”.

O Facebook e o seu “debate livre” sobre o aborto


O Facebook e o seu “debate livre” sobre o aborto


Por Jurandir Dias


Liberdade de imprensa e democracia são termos correlatos dentro do meio jornalístico. Por liberdade de imprensa se entende liberdade de expressão. Esta última, por sua vez, constitui um dogma para a imprensa. Tal “dogma”, entretanto, é muitas vezes violado por aqueles mesmos que o defendem com unhas e dentes. O Facebook é um exemplo disso.
A imprensa, dentro de um regime democrático, se considera o Quarto Poder. Essa ideia nasceu a partir de meados do século XIX. Ela pretende ser o órgão responsável por fiscalizar eventuais abusos dos três poderes da República (Legislativo, Executivo e Judiciário). Contudo, vemos hoje que esse “poder” não se restringe somente a isto, mas também a coibir a divulgação daquilo que vai contra os seus princípios, os quais são muitas vezes favoráveis ao aborto, ao homossexualismo, ao amor livre etc. Princípios que se chocam com os de seus leitores, que na sua maioria são conservadores. É o que podemos observar a seguir:
Está previsto um referendo sobre o aborto na Irlanda no próximo dia 25. Ora, no dia 8 o Facebook antecipou que vai bloquear todas as publicações estrangeiras a respeito desse referendo:
 “Como parte dos nossos esforços para ajudar a proteger a integridade das eleições e o referendo de influências indevidasvamos começar a rejeitar publicidades relacionadas ao referendo de anunciantes de fora da Irlanda.”[i]
Facebook parece não perceber a contradição entre o que diz e o que faz: “Nosso objetivo é simples: favorecer um debate livre, equitativo e transparente.” (O grifo é nosso).
Como pode haver “debate livre” onde as pessoas são impedidas de se manifestar?
Com essa medida, o Facebook alega “proteger a integridade das eleições e o referendo de influências indevidas. De fato, ele teme uma campanha de esclarecimentos promovida por movimentos conservadores Pró-Vida, cujo resultado poderá ser contrário à matança dos inocentes.
Agindo assim, o Facebook deixará também as pessoas impossibilitadas de se manifestar pelas redes sociais, ficando todo o noticiário (tendencioso) por conta da mídia abortista.
No “debate livre” concebido pelo Facebook e por grande parte da mídia, somente os ingênuos acreditam. Assim, diz com propriedade Reynaldo Carilo Carvalho Netto: “O quarto poder não representa mais – não em sua totalidade – o conceito de fiscalizar os poderes e nortear os cidadãos. Por ele agora passam filtros que são geridos por interesses particulares, amputando informações, direcionando olhares, minando o funcionamento intelectual, em uma verdadeira democracia de faz de conta.”[ii]
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segunda-feira, 14 de maio de 2018

A lição de uma tragédia


A lição de uma tragédia






Há um ditado francês que diz: “A quelque chose malheur est bon” (para alguma coisa o mal é bom). Por isso, comecei a pensar na lição que poderíamos tirar da recente tragédia no centro de São Paulo, apesar do mal que isto causou a centenas de pessoas, inclusive diversas mortes.
É muito lamentável o fato e o nosso dever como jornalistas católicos não consiste em produzir lamentações estéreis e sensacionalistas de um fato consumado. Devemos, antes de tudo, prestar às famílias enlutadas e aos infelizes mortos o tributo de amor cristão e orar por suas almas. E aos sobreviventes que ficaram sem seus pertences, a nossa solidariedade.
Tal tragédia, entretanto, levantou o tenebroso véu de uma crise social e moral em que vive o País. Por que crise moral? Mas isto não é apenas um problema social? – Não. Podemos observar que os movimentos ditos sociais não estão interessados em resolver o problema de moradia de uma parcela da população realmente necessitada. Eles querem principalmente tirar proveito da miséria humana com vistas ao Poder, como eles mesmos confessam. Aqui está o lado moral dessa história.
Assim, explica o próprio MTST em sua página na internet: Por que fazemos ocupações? Alguns companheiros respondem: ‘Para conseguir moradia!’.
“Mas é só isso que queremos? Ficaremos satisfeitos se, daqui há (sic) 10 ou 20 anos, olharmos para traz e vermos apenas um monte de conjuntos habitacionais? De nada adianta conseguirmos moradias e a vida continuar do mesmo jeito, com o capitalismo impondo suas leis. Por isso, a ocupação tem para nós um sentido muito maior do que a luta por moradia: é uma forma de formarmos (sic) novos militantes para a luta, de construir referência nos bairros de periferia e de mostrar para os trabalhadores que – com união e organização – temos poder de enfrentar este sistema. Nossas ocupações devem ter sempre este horizonte!”. Os fins justificam os meios, conforme a sua fórmula maquiavélica e socialista.[1]
Essas ocupações servem também como uma fonte de renda para outras invasões de propriedades particulares ou até mesmo o financiamento de campanhas políticas de seus líderes. É evidente que os movimentos de esquerda visam tomar o Brasil e transformá-lo numa Venezuela, apesar deste espectro ter sido afastado temporariamente pela prisão de seu principal líder. Contudo, eles não desistem. Mas para isto precisam de dinheiro, especialmente quando as suas fontes se esgotaram com a prisão de seus principais financiadores: os donos das empreiteiras.
Segundo o noticiário, os moradores tinham que pagar entre 250 a 500 reais de “aluguel”, para terem um espaço nessas ocupações. Os movimentos sociais invadem prédios para “ajudar” os chamados sem-teto, e depois cobram deles aluguel pelo espaço sem mesmo serem proprietários… É a lógica socialista. Esta prática já tinha sido observada por ocasião da desocupação do prédio do Cine Marrocos, no centro de São Paulo, em 15 de outubro de 2016.  O SBT apontou que naquele prédio também foi localizado um grupo de traficantes fortemente armados. A emissora exibiu imagens das armas de grosso calibre e de um desses bandidos.[2]
Boulos, candidato a Presidente da República pelo PSOL e a sua vice.
O MTST “é um movimento de caráter social, político e popular organizado em 1997 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para atuar nas grandes cidades com o objetivo de lutar pela reforma urbana (…)”. Guilherme Boulos é o seu principal líder.
“Atualmente o MTST compõe Frente Povo Sem Medo, junto com movimentos e organizações como as Brigadas Populares (BPs), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o RUA Juventude Anticapitalista, a Esquerda Marxista, o Polo Comunista Luiz Carlos Prestes e entidades ligadas ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), além de outras inúmeras outras entidades”.[3]
A respeito do desabamento, Boulos declarou cinicamente: “É uma tragédia o que aconteceu e é lamentável que tenha gente nas redes sociais querendo fazer uso político em cima de um incêndio, de um desabamento, de um ferimento e provavelmente de morte de pessoas”.  Ele negou que o MTST fosse responsável por aquela invasão, mas o Movimento da Luta Social por Moradia (MLSM) – a mesma diferença entre seis e meia dúzia – e afirmou que  “se há que se responsabilizar alguém é o poder público, que não ofereceu política habitacional para aquele povo, que não assegurou, mesmo sabendo da ocupação e provavelmente dos riscos, condições melhores para as pessoas”. [4]
O Secretário da Habitação, João Whitaker, afirmou que as ocupações no centro de São Paulo se intensificaram nos últimos anos. Embora não haja dados oficiais, ele estima em torno de 40 ou 50 prédios invadidos, dez dos quais são públicos. O Secretário reconhece que esse aumento de invasões se deve às gestões esquerdistas. “Como um estudioso do assunto, eu percebo que isso aumenta quando há governos mais abertos ao diálogo com os movimentos. E essa é uma característica dessa gestão e de gestões mais à esquerda, em geral”, diz Whitaker.[5]
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O principal objetivo do comunismo, além da Reforma Agrária, é a Reforma Urbana e a Reforma Empresarial. Essas reformas são igualmente instrumentos para a luta de classes recomendadas por Marx a fim de se “instaurar” a “ditadura do proletariado”. Depois do confisco das propriedades rurais viria o confisco das propriedades urbanas e empresariais. No Brasil, a Reforma Agrária tem sido um fracasso, pois onde ela foi aplicada há apenas “favelas rurais”. Desde a época de João Goulart até os nossos dias, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e seus discípulos têm denunciado a participação da esquerda católica e dos movimentos sociais, como o MST, nas invasões de propriedades no campo. Hoje, esse movimento se dividiu em outros pequenos movimentos “especializados” nas invasões de prédios urbanos. É a Reforma Urbana, simétrica à Reforma Agrária, nos moldes dos planos marxistas, que eles querem implantar. O comunismo, entretanto, tem encontrado fortes resistências dos proprietários, graças às contínuas campanhas de divulgação de obras esclarecedoras sobre este tema feitas pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira – IPCO.
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero: uma aberração legal


Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero: uma aberração legal


Por Jurandir Dias

Foto de Geraldo Magela/Agência Senado. Entrega do “Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero”

Tramita no Senado o PLS 134/2018, elaborado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e pela Comissão Especial de Diversidade de Gênero e Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que recebeu parecer favorável da relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP).  Ele institui o Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero. O objetivo desse Estatuto com mais de cem artigos é impor de forma draconiana a ideologia de gênero em todos os segmentos da sociedade. Ele cria também uma casta de pessoas com direitos e privilégios acima de qualquer cidadão, e contraria a Constituição em seu artigo 5º, que diz: “todos são iguais perante a lei.”

O artigo 3º do Estatuto diz que o Estado e a Sociedade têm o dever de “garantir a todos o exercício da cidadania, a igualdade de oportunidades e o direito à participação na comunidade, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas.
“Para isso, fica vedado fazer qualquer diferenciação entre as pessoas por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero, e fica livre a constituição de vínculos parentais, entre outras coisas como ‘o direito fundamental à felicidade’, vedada qualquer prática que impeça a pessoa de reger sua vida conforme a orientação sexual ou identidade de gênero autoatribuída, real ou presumida”.
Outro ponto do texto altera a redação de leis, como a da constituição do casamento, ao autorizar a união entre pessoas do mesmo sexo e retirar da lei brasileira as menções a “homem e mulher”, trocados por “nubentes”. O Estatuto impede também que a adoção de crianças seja negada por conta da orientação sexual ou identidade de gênero dos candidatos. O art. 12 diz: Todas as pessoas têm direito à constituição da família e são livres para escolher o modelo de entidade familiar que lhes aprouver, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero”.
Ainda no art. 54, o Estatuto garante ao casal homossexual os mesmos direitos previdenciários de um casal normal: “O cônjuge ou o companheiro homoafetivo sobrevivente tem direito à percepção de todos e quaisquer direitos previdenciários, familiares ou sucessórios, na condição de beneficiário junto ao Instituto Nacional de Seguro Social – INSS”.
Com esse Estatuto fica estabelecida uma verdadeira perseguição aos colégios públicos ou particulares, bem como aos professores que se opuserem à ideologia de gênero. Art. 56: Os estabelecimentos públicos e privados de ensino têm o dever de promover a liberdade, a tolerância, a igualdade, a diversidade e o respeito entre as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.” Em seguida, no art. 58 diz: Os profissionais da educação têm o dever de abordar os temas relativos à sexualidade, adotando materiais didáticos que não reforcem a discriminação com base na orientação sexual ou identidade de gênero.”
Em seguida, no art. 59, vem a ameaça: “Gera responsabilidade civil e penal a omissão dos dirigentes e dos professores que não coibirem, no ambiente escolar, condutas que visem intimidar, ameaçar, ofender, castigar, submeter, ridicularizar, difamar, injuriar, caluniar ou expor aluno a constrangimento físico ou moral, em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero.”
Com o intuito de acabar com as datas comemorativas que lembram a família tradicional, como o “Dia das mães” e o “Dia dos pais”, o Estatuto também estabelece no art. 60: “Ao programarem atividades escolares referentes a datas comemorativas, dirigentes e educadores devem atentar à multiplicidade de formações familiares, de modo a evitar qualquer constrangimento dos alunos filhos de famílias homoafetivas.”
Serão também criadas cotas nas empresas públicas e privadas para os homossexuais e transgêneros:
“Art. 70. A administração pública assegurará igualdade de oportunidades no mercado de trabalho a transgêneros e intersexuais, mediante cotas, atentando ao princípio da proporcionalidade.
“Parágrafo únicoSerão criados mecanismos de incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas.”
Casal americano condenado por se recusar a fazer um bolo
 para a “união” homossexual de lésbicas
A exemplo do que já ocorreu nos Estados Unidos, onde uma família dona de uma confeitaria foi punida por se recusar a fazer um bolo de casamento para a “união” homossexual de um “casal” de lésbicas, também no Brasil qualquer pessoa ou empresa que por motivo de consciência se recusar qualquer serviço a homossexuais, sofrerá punições previstas nesse Estatuto. Assim estabelece o art. 94: “Configura prática discriminatória negar o fornecimento de bens ou prestação de serviços ao consumidor em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero.”[i]
Este breve resumo desse projeto de lei basta para mostrar a gravidade da ameaça que ele representa para a família e os bons costumes. E as penas para quem incorrer em descumprimento dos artigos do projeto poderão variar de 1 a 5 anos de reclusão.A exemplo do que já ocorreu nos Estados Unidos, onde uma família dona de uma confeitaria foi punida por se recusar a fazer um bolo de casamento para a “união” homossexual de um “casal” de lésbicas, também no Brasil qualquer pessoa ou empresa que por motivo de consciência se recusar qualquer serviço a homossexuais, sofrerá punições previstas nesse Estatuto. Assim estabelece o art. 94: “Configura prática discriminatória negar o fornecimento de bens ou prestação de serviços ao consumidor em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero.”[i]
Fica claro, mais uma vez, que a ideologia de gênero quer impor-se ditatorialmente, como já dissemos em diversos artigos neste blog. Para isto, o lobby homossexual tem-se utilizado de ações judiciais contra os seus opositores, mesmo sem base na legislação do País. Apoiar-se neste Estatuto proposto pela Sra. Marta Suplicy – defensora dos “direitos humanos”, mas não dos humanos direitos – significa apoiar-se num documento que é uma verdadeira aberração legal.
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quarta-feira, 25 de abril de 2018

“Ter filhos não é ético”, afirmam os antinatalistas


“Ter filhos não é ético”, afirmam os antinatalistas




    O homem é a “única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma”[i], dotando-o de toda a dignidade a ponto de permitir que seu Filho se encarnasse e morresse na Cruz para resgatá-lo do pecado original. É por este motivo que o demônio se tem empenhado desde o início em destruí-lo. Compreendemos assim também o porquê da criação de doutrinas como a ideologia de gênero, o ambientalismo e, mais recentemente, o movimento chamado antinatalista.
    Deus mostra a sua predileção pelo ser humano por se tratar da mais perfeita de suas criaturas e porque o criou “à sua imagem e semelhança”. O que as Escrituras descrevem poeticamente: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. E depois de tê-los criado, Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” (Gênesis, 27 e 28).
    Ter filhos, portanto, é um mandado divino. O casal que não quer ter filhos demonstra um egoísmo extremo e peca contra esse mandado.
    Audrey Garcia, de 39 anos, casada, é uma dessas pessoas que dizem ter seus motivos para não ter filhos. Numa entrevista para a BBC Mundo em espanhol, ela afirma que  ter filhos “simplesmente não é ético em um mundo superpovoado, onde falta água e comida para muitas pessoas, onde estamos destruindo o meio ambiente, onde não paramos de consumir mais e mais recursos”.[ii]
    Audrey Garcia pertence a um grupo de pessoas conhecidas como antinatalistas, que se inspiram nas ideias de David Benatar, diretor do Departamento de Filosofia da Universidade do Cabo, na África do Sul. Benatar é autor do livro Better Never to Have Been (Melhor Nunca ter Nascido). A obra começa com a seguinte dedicatória: “Aos meus pais, apesar de me terem dado a vida”.
    Segundo Audrey, o antinatalismo está associado ao veganismo. “Como ativistaluto contra todo tipo de exploração animal. Se eu tivesse filhos, seria responsável por criar uma cadeia sem fim de humanos que vão consumir produtos animais, porque não posso garantir de forma alguma que meus filhos e netos sejam veganos” E continua: “Ter filhos significaria necessariamente aumentar o sofrimento animal”. Para Audrey, ser antinatalista também é ir contra o sistema estabelecido, que “supõe que a mulher está destinada a ser mãe”.
    Audrey Garcia fez a cirurgia para se tornar estéril e afirma que “as pessoas costumam ficar chocadas porque veem a esterilização como uma mutilação, mas quando eu explico os motivos, elas entendem”.
    Como os casais egoístas, que só pensam no prazer e não querem ter filhos, este é um problema que Audrey tem enfrentado nos seus relacionamentos. Por isso, justifica-se dizendo: “Não vejo o que há de egoísta em querer dedicar sua vida a outra coisa que não seja ter filhos. O que acho egoísta é tomar, de maneira unilateral, a decisão de trazer alguém a este mundo.
    Uma das razões que os antinatalistas citam para não terem filhos seriam os sofrimentos físico, psicológico e emocional. Assim, Audrey deixa transparecer o desejo de suicídios dessas pessoas: “Acho que muitas pessoas já pensaram em suicídio uma vez ou outra. Mas já que estou aqui, tento ser útil.
    Por causa do pecado original, esta vida é um “vale de lágrimas”. E é muitas vezes no sofrimento que encontramos a nossa consolação. Foi o exemplo que nos deu Nosso Senhor Jesus Cristo morrendo na Cruz. O suicídio é, portanto, a falsa solução que o demônio apresenta àqueles que se entregam ao egoísmo e aos prazeres.
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    [i] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 103

domingo, 1 de abril de 2018

A ideologia de gênero e o princípio da não-contradição




A ideologia de gênero e o princípio da não-contradição

Por Jurandir Dias

Segundo a ideologia de gênero, a pessoa pode ser uma coisa ou outra, ou não ser nada, ou seja, de acordo com a sua “sensação interna” será homem, mulher ou nem homem nem mulher. É estranho, mas é o relativismo levado ao extremo. Nesse sentido, essa ideologia parece uma seita cuja doutrina não tem base na ciência nem na realidade. Para ela não há uma verdade absoluta; tudo é relativo. Em artigo recentemente publicado no site do IPCO, transcrito da Gazeta do Povo, Ryan T. Anderson, autor do livro  When Harry Became Sally, observa que “as afirmações de ativistas do movimento transgênero são confusas porque elas são filosoficamente incoerentes.”[1]

Isto explica por que tais ativistas confiam em afirmações contraditórias. Essas contradições, segundo Ryan T. Anderson, “são necessárias no momento para fazê-los avançar em suas posições, mas a sua ideologia segue evoluindo, e até mesmo aliados e organizações LGBT podem ficar para trás conforme o ‘progresso’ acontece”. Diríamos que ela vai se requintando e a cada dia surgem novos tipos trans, não sendo possível prever o fim desse processo, que não é senão a destruição do gênero humano como Deus o criou, ou seja, o reino do demônio sobre a terra caso não houvesse uma intervenção divina com os merecidos castigos, e, finalmente, a vitória prometida por Nossa Senhora em Fátima.

Essa ideologia tem suas causas profundas nas tendências desordenadas do homem. Essas tendências “se desenvolvem como os pruridos e os vícios, isto é, à medida mesmo que se satisfazem, crescem em intensidade. As tendências produzem crises morais, doutrinas errôneas, e depois revoluções. Umas e outras, por sua vez, exacerbam as tendências. Estas últimas levam em seguida, e por um movimento análogo, a novas crises, novos erros, novas revoluções. É o que explica que nos encontremos hoje em tal paroxismo da impiedade e da imoralidade, bem como em tal abismo de desordens e discórdias”.  [2]

Paul R. McHugh, M.D (esquerda) and
Lawrence S. Mayer, M.B., M.S., Ph.D. (direita)
A médica Deanna Adkins, professora na Escola de Medicina da Universidade Duke e diretora do Centro Duke para Cuidados de Gênero de Crianças e Adolescentes, afirmou que, de uma perspectiva médica, “o que determina apropriadamente o sexo é a identidade de gênero”. Ela chama de “má ciência” aquela que fala de “cromossomos, hormônios, órgãos reprodutivos internos, genitálias externas ou características sexuais secundárias para sobrepor a identidade de gênero para propósitos de classificar alguém como masculino ou feminino”. Entretanto, não apresenta nenhum estudo ou argumento científico que corroborem a sua asserção. Seria preciso refutar os estudos de diversos cientistas e médicos de renome, como Lawrence Mayer e Paul McHugh, ambos da Universidade John Hopkins[3], e também o mais recente estudo do Prof. Shmauel Pietrovski e o Dr. Moran Gershoni, pesquisadores do Departamento de Genética Molecular do Instituto Weizmann de Ciências, que revelaram que cerca de 6.500 genes humanos codificadores de proteínas reagem de forma diferente nos sexos masculino e feminino. Esta descoberta desmascara, mais uma vez, a ideologia de gênero, que considera o sexo uma construção social.[4]

Mas o que é exatamente essa “identidade de gênero”, tida como o verdadeiro determinante do sexo?” – pergunta Ryan.

Ele mesmo responde: “Segundo Adkins, é ‘a sensação interna de um indivíduo de pertencer a um gênero em particular, como masculino ou feminino’. Perceba a função da palavra ‘como’, implicando que as opções não são necessariamente limitadas a masculino e feminino. Outros ativistas são mais exatos ao admitir que a identidade de gênero não precisa ser restrita à escolha binária de masculino ou feminino, mas pode incluir os dois ou nenhum. A Associação Americana de Psicologia, por exemplo, define ‘identidade de gênero’ como ‘a sensação interna de uma pessoa em ser masculino, feminino ou outra coisa’”. (grifos nossos)

Seria o caso de perguntar o que é “sensação interna”. Ryan, entretanto, afirma que “o centro da ideologia está a radical afirmação de que sensações determinam a realidade. A partir dessa ideia surgem demandas extremas para a sociedade lidar com afirmações subjetivas da realidade.” Note-se que já não se fala da razão. O homem corrompido pela ideologia de gênero já não pensa, mas tem sensações. É a perda do “lumen rationis” (luz da razão).

Sobre o relativista, comenta o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
“Por que pensar logicamente, se não há verdade nem erro? Por que coibir os impulsos, se não há bem nem mal? O importante é não controlar as próprias ideias, e sim deixá-las soltas ao léu, sem procurar exercer o governo do que acontece dentro de si, deixando-se tocar livremente pelos influxos internos, cujo efeito concreto é tornar-nos um homem como os outros, pensando, sentindo e vivendo como todo-o-mundo, partícipes, em última análise, da grande mentalidade universal. Porque, a não ser um uomo qualunque – um qualquer  – a alternativa é clara: ser um desequilibrado ou ser um robô.” [5]

Santo Tomás de Aquino, seguindo Aristóteles, afirma que é impossível uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. Este é o princípio da não-contradição, que ele o define como o princípio primeiro e supremo do pensamento.[6]

E Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mt. V, 37). A ideologia de gênero é propriamente a negação desse princípio.
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[6] São Tomás de Aquino, Summa Theologica, I-IIae, qa. 94, a. 2.