quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Coisa de preto, coisa de República, coisa de Dilma...

Coisa de preto, coisa de República, coisa de Dilma...

Por Jurandir Dias

Há dias atrás repercutiu largamente no noticiário nacional e internacional o caso de William Waack, jornalista da Globo, acusado de racismo e afastado de suas funções por causa da infeliz expressão “coisa de preto”.

Tudo começou há um ano quando William Waack, então âncora do Jornal da Globo, anunciava a vitória de Donald Trump nas eleições americanas.  Antes de entrar ao vivo, mas com as câmeras e microfones ligados, ele se irrita com o som de buzinas vindo da rua, diz alguns impropérios e exclama: “fazer isto é coisa de preto”.

No dia 07 de novembro p.p., William Waack, no Jornal da Globo, a propósito do centenário da revolução russa,  exibia fotos de Leon Trotsky, Stalin e Lenin, sobre os quais comentou: “Cem anos atrás nem eles achavam que poderiam se manter no poder em Moscou, mas conseguiram. Conseguiram às custas das liberdades que diziam defender. Lenin iniciou um dos mais bárbaros, sanguinários e opressores regimes da história da humanidade. A Revolução Russa levou à criação do que foi o maior estado do século XX: a União Soviética. Este estado implodiu em 1991 sob o peso da própria incapacidade de fazer a economia funcionar.(...) A revolução russa prossegue sendo um símbolo poderoso. Não é à toa que a gente escolheu este símbolo (a bandeira da União Soviética) para que vocês vejam, confiram.  A bandeira da União Soviética não existe mais. Ela é o símbolo de que utopias interpretadas e conduzidas por partidos políticos que acham que sabem o que é melhor para as pessoas. Essas utopias terminam em regimes repulsivos e totalitários. O russos deram pouca atenção hoje à data.”

Coincidência ou não, no dia seguinte a esse comentário,  “vazou” na imprensa aquele de um ano atrás e em seguida o jornalista foi dispensado de suas funções. Isto parecia uma carta guardada na manga para usar no momento propício.

O fato foi motivo de comentários de especialistas e jornalistas, entre os quais destaco o do  prof. Paulo Cruz, mestre em Ciência e Religião:

 Mas as palavras de Waack não fazem dele um racista. Eu diria assim: todo racista diz aquilo, mas nem todos que dizem aquilo são racistas. Esse tipo de estupidez está no imaginário brasileiro há mais de um século. E mais: não sem um fundo de verdade. Acompanhe meu raciocínio, caro leitor.
“Após a proclamação da República, os republicanos sepultaram a esperança dos negros, lançando-os na mais absoluta marginalidade.

“No fim do século 19, o movimento abolicionista pedia o fim da escravidão sem indenização aos fazendeiros; os novos cidadãos livres é que seriam auxiliados. Para isso, André Rebouças escrevia sobre reforma agrária, e a princesa Isabel, principal aliada do movimento, coordenava um projeto de indenizações aos ex-escravos. Em carta reveladora ao Visconde de Santa Vitória (sócio do Barão de Mauá), agradece a intenção do banqueiro em colaborar com a causa.

Princesa Isabel
“O problema é que, um ano e seis meses após a assinatura da Lei Áurea, um golpe militar minou o projeto abolicionista. A família imperial foi expulsa do país e os republicanos sepultaram a esperança dos negros, lançando-os na mais absoluta marginalidade. Joaquim Nabuco, numa carta a Rebouças em 1893, disse: ‘Com que gente andamos metidos! Hoje estou convencido de que não havia uma parcela de amor do escravo, de desinteresse e de abnegação em três quartas partes dos que se diziam abolicionistas. [...] A prova é que fizeram esta República e depois dela só advogaram a causa dos bolsistas, dos ladrões da finança, piorando infinitamente a condição dos pobres. É certo que os negros estão morrendo e, pelo alcoolismo, se degradando ainda mais do que quando escravos, porque são hoje livres, isto é, responsáveis, e antes eram puras máquinas, cuja sorte Deus tinha posto em outras mãos (se Deus consentiu na escravidão)’

“Em resposta, Rebouças também lamenta: ‘Ah, meu bom Nabuco, que erro irreparável foi desviar o Brasil da evolução democrática iniciada pela Abolição, para lançá-lo no redemoinho das revoluções incessantes e intermináveis”. Posteriormente, o sociólogo marxista Florestan Fernandes, mesmo atribuindo a condição do negro única e exclusivamente a fatores externos, diz que “muitos agiam como ‘desordeiros’, provocando repetidamente ‘forrobodós’ nos cortiços, pela madrugada, ou dentro de seus cômodos’.  (grifos nossos)

“Ou seja, associar “coisa de preto” à desordem reflete, infelizmente, a postura do próprio negro perante os desafios e impossibilidades que se impuseram no pós-abolição. Perpetuar essa mentalidade é um horror, mas não pior que perpetuar a “cultura de gueto”.[i]

O caso de William Waack nos trouxe algumas lições: aprendemos um pouco de história e vimos como a nossa República é como o demônio, ou seja, ela não dá o que promete. Aprendemos também que o PT, o Lula e a Dilma se consideram “coisa de preto”. Assim, em sua conta no Twitter, no dia 13 p.p., Dilma se expressou de um modo inegavelmente racista: “Esse foi um pensamento que tive depois do caso do William Waack. Você sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto”. Isto, contudo, é coisa de Dilma.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto

A Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto





Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF decidiu que não é crime o aborto realizado durante o primeiro trimestre de gestação, seja qual for o motivo que leve a mulher a interromper a gravidez. Votaram favoráveis ao aborto os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber.
Paradoxalmente, na mesma época o STF pretendia proibir a famosa vaquejada do Nordeste, alegando “maus tratos nos animais”. Por seis votos a cinco, a Suprema Corte decidiu que a lei cearense que regulamentava a prática da vaquejada era inconstitucional.
Os vaqueiros, entretanto, “garantem que a prática nos últimos 10 anos foi regulamentada a fim de assegurar a proteção dos animais, o que é fiscalizado por veterinários.[i]
Durante conferência realizada em Brasília no dia 27 p.p. sobre perspectivas de reforma institucional, Gilmar Mendes aproveitou a ocasião para provocar o ministro Luís Roberto Barroso, um dos que votaram pela liberação do aborto:
Parte desse grupo que votou na vaquejada conduziu uma decisão que tentava introduzir o aborto no Brasil, dizendo que aborto até três meses, sem decisão do plenário, seria legítimo, num caso que discutia não o tema diretamente, mas excesso de prazo para pessoa que praticou aborto. A decisão poderia ter sido favorável à pessoa, pelo excesso de prazo, mas não precisava entrar no tema. Entrou no tema, porque se viu possibilidade de fazer maioria. De vez em quando nós somos esse tipo de Corte que proíbe a vaquejada e permite o aborto”.[ii] (grifo nosso)
O Ministro tem razão: “esse tipo de Corte” que vota a favor do aborto é capaz de colocar na cadeia uma pessoa que destruir um ovo de tartaruga, por exemplo, ou matar um animal selvagem para saciar a  própria fome. Será que esses homens “iluminados” não percebem a contradição que há em suas decisões? Ou para eles a vida de um animal é mais importante do que a do ser humano?
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domingo, 29 de outubro de 2017

“Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”

“Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”



Um juiz de Porto Alegre indeferiu o pedido de cancelamento da peça blasfema “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” alegando o princípio da liberdade de expressão. A apresentação traz uma infame narrativa da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, apresentando nosso Divino Salvador como uma “mulher transexual” que endossa e incentiva esta condição.
Ultimamente tem havido uma série de apresentações em museus e teatros com conteúdos ofensivos à religião, sempre sob a égide da liberdade de expressão, que se transformou assim numa via cujo destino final é a destruição dos valores cristãos. Os responsáveis por tais apresentações se esquecem, no entanto, de que o mesmo dispositivo legal que trata da liberdade de expressão também defende a liberdade consciência – dois tipos de liberdade que, neste caso, afiguram-se conflitantes.
A propósito da exposição Queermuseu  – Cartografias da diferença na América Latina, promovida pelo Banco Santander em Porto Alegre, escreveu o jornal “O Estado de S. Paulo”: “A liberdade de expressão do pensamento não raras vezes entra em conflito com os limites da razão e da sensibilidade. Quando isto ocorre, frequentemente, levantam-se vozes eloquentes em defesa do direito à liberdade de expressão em detrimento de valores importantes dos indivíduos, acarretando enormes e injustificáveis riscos aos costumes e à cultura jurídica.” [i]
Alguns defensores da liberdade de expressão chegam a ponderar “que a liberdade de expressão deve valer-se do bom senso, também chamado de razoabilidade, para evitar possíveis polêmicas, ofensas, discussões, danos morais e condenações.”[ii]
Em nome da liberdade de expressão, também o Museu de Arte Moderna de São Paulo promoveu uma apresentação onde uma mãe e sua filha de quatro anos passavam as mãos sobre o corpo de um “artista” completamente nu, deitado no solo. O fato causou indignação e revolta de manifestantes em frente ao museu e nas mídias sociais.
Robert Simpson, doutorando em filosofia pelo Somerville College, Oxford, afirma que “em uma sociedade que valorize a liberdade de expressão, ser ofendido pelo discurso de outros é um dos preços que é preciso pagar.” E continua: “Uma coisa é ofender uma pessoa de forma acidental quando criticamos suas crenças mais arraigadas. Outra coisa é ridicularizar ou denegrir as convicções das pessoas repetidamente de forma calculada numa tentativa de fomentar ódio, ressentimento e humilhação. A distinção liberal entre dano e ofensa desenha uma imagem nitidamente dividida do relacionamento social:  às vezes estamos vivendo nossas vidas e perseguindo nossos objetivos, outras vezes estamos atuando de forma hostil e com más intenções.” [iii]
Alessandra Amato, no artigo “Os Limites da Liberdade de Expressão”, observa que a verdadeira liberdade de expressão não existe:
Se observarmos o mundo, a ideia central é que não há uma verdadeira e objetiva liberdade de expressão.
O pensamento, a opinião de cada um de nós é pré-determinada, enraizada nos nossos modelos familiares, educacionais, culturais e ideológicos, não esquecendo da educação escolar e da religião, o grupo e o meio social, assim, como as informações úteis ou não dos meios de comunicação.
 A liberdade de expressão deve respeitar os limites éticos, morais, sociais e familiares, deixando de lado, e não confundindo com a imoralidade, palavras de baixo calão, ou qualquer forma e pensamento destrutivo de conceitos como o respeito, a dignidade humana, as opções das pessoas, não tornando, portanto, um meio prejudicial e danoso.”
Observamos no Brasil, um equívoco em relação à liberdade de expressãoA televisão brasileira, por exemplo, ao se expressar, distorce notícias, condena pessoas, estimula a sensualidade precoce, a mentira, a nudeza infidelidade conjugal, etc. Cadê os órgãos públicos fiscalizadores?” 
 E conclui: “Não podemos confundir a liberdade de expressão com a degradação, banalização e inversão de valores, o que infelizmente vem ocorrendo”. [iv] (grifos nossos)
A liberdade sem freios pode levar a extremos que culminarão na anarquia total. A Revolução de 68 na Sorbonne, em Paris, e o Festival de Woodstock, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 nos Estados Unidos, são exemplos disso. Essa liberdade traz em seu bojo o amor livre, o homossexualismo, o aborto etc. Assim, a tão propalada liberdade de expressão tem sido usada como uma palavra-talismã carregada de um espírito revolucionário que vem desde os enciclopedistas do sec. XVIII, quando sonharam com o ideal de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Madame Roland foi guilhotinada
no dia 08 de novembro de 1793
 pelos Girondinos, no período do Terror,
durante a Revolução Francesa

“Assim – afirma o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira –, desde que se excite ao máximo em um paciente, por meio de uma hábil propaganda, a paixão da liberdade, pode-se criar nele a apetência desordenada de um estado de coisas em que não haja poder público nem leis. A natureza humana decaída tende facilmente para tal. E os germes ideológicos legados ao mundo pela Revolução Francesa estão carregados de estímulos nesse sentido. Ora, este é também o termo em que, segundo os doutrinadores do marxismo, deve desfechar em sua fase final o Estado totalitário comunista”.[v]
Em nome de tal “liberdade” foram mortas milhares de pessoas pela guilhotina durante a Revolução Francesa. Foi por isso que Madame Roland (quadro ao lado), ao caminhar para o cadafalso onde seria decapitada pelos revolucionários, exclamou: “Oh liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!
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[i]http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/queermuseu-a-liberdade-de-expressao-e-os-limites-da-razao-e-da-sensibilidade/
[ii]http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10790&revista_caderno=9
[iii] http://freespeechdebate.com/pt-pt/discuss/prevenir-danos-e-permitir-ofensa/
[iv] http://investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/direito-constitucional/3855-os-limites-da-liberdade-de-expressao.html
[v] http://www.pliniocorreadeoliveira.info/livros/1965.pdf

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ideologia de Gênero: a batalha final?

Ideologia de Gênero: a batalha final?



A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o matrimônio e a família”, afirmou a Irmã Lúcia, vidente de Fátima, em uma carta enviada ao Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo de Bolonha (Itália).[1]
Em 16 de fevereiro de 2008, o Cardeal Carlo Caffarra havia celebrado uma Missa na tumba de São Pio de Pietrelcina, após a qual deu uma entrevista para a ‘Tele Radio Padre Pio’, quando lhe perguntaram acerca da referida carta.
            “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família. Não temam, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimônio e da Família sempre será combatida e enfrentada em todas as formas, porque este é o ponto decisivo”, disse o Cardeal.
O Cardeal Caffarra acrescentou ainda que, “falando também com João Paulo II, a gente podia sentir que a família era o ponto central, pois é o fundamento da criação, a verdade da relação entre o homem e a mulher ao longo das gerações. Se o pilar fundamental é transtornado, todo o edifício fica paralisado e agora vemos isto, porque estamos justamente neste ponto e sabemos”.
Concluiu o Cardeal: “E fico comovido quando leio as melhores biografias do Padre Pio a respeito de como este homem esteve tão atento à santidade do matrimônio e à santidade dos esposos, inclusive, com justificável rigor em algumas ocasiões.
As profecias e as revelações particulares nunca são feitas de modo claro. Elas não são como uma notícia de um fato acontecido, mas sim que vai ou poderá acontecer. Portanto, não revelam a data nem o modo como tal fato se dará. Só na medida em que os fatos revelados forem acontecendo e se encaixam como num quebra-cabeça é que se percebe a analogia entre eles e a profecia.
Imagem Peregrina Internacional
de Nossa Senhora de Fátima
Assim, a previsão de Nossa Senhora de Fátima em 1917,  de  que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo, não poderia ser entendida naquele contexto histórico. Não se sabia de que erros Ela falava. Tal previsão ficou evidente somente após a Revolução bolchevique e a execução da Família Imperial Russa, em 17 de julho de 1918. Hoje, porém, os erros do comunismo estão por toda parte.
Foi pensando nisso que me perguntei se essa insana ideologia de gênero já não seria a “batalha final” de que fala a Irmã Lúcia.
 *      *       *
ideologia de gênero é propriamente uma ideologia. Ela não é uma teoria ou simplesmente uma ideia maluca. Toda ideologia parte de um pressuposto, de uma premissa. A partir dela se constrói um raciocínio ou silogismo no qual se funda a ideologia. Se a ideia inicial for falsa, todo o edifício ideológico que se constrói a partir dela também será evidentemente falso. O comunismo, por exemplo, parte do princípio de que toda desigualdade é um mal. A partir daí têm-se as consequências desse princípio que são as revoluções, as mortes que ele causou e as ideologias que a partir dele surgiram com o fim de destruir a civilização cristã.
Para se combater uma ideologia com eficácia, é preciso combater antes o seu princípio inicial. A ideologia de gênero parte de dois princípios: a) o sexo é um aspecto biológico do homem e da mulher; b) o “gênero” é o sexo socialmente construído. O primeiro princípio é verdadeiro. O segundo, porém, contém o erro. E é a partir desse erro que se construiu essa ideologia.
A palavra “gênero” vem carregada da energia de uma palavra-talismã. Ela é usada em sentido diferente do seu significado etimológico, pois gênero significa coisas diferentes que têm relação entre si. Por exemplo: gênero literário, gênero musical, gêneros cinematográficos etc. As palavras têm gêneros: gênero masculino, gênero feminino e gênero neutro. O gênero delas depende do país ou da região. Assim, a palavra sangue, por exemplo, pode ser do gênero masculino em português, feminino em espanhol (la sangre) e neutro (the blood) em inglês. Os seres humanos e os animais têm sexos, e não gênero.
Se o “gênero” é definido socialmente ou psicologicamente, a pessoa pode trocá-lo sempre que desejar. O homem poderá mudar para o “gênero” feminino e, se quiser, volta a ser do “gênero” masculino. A mudança de “gênero”, contudo, não muda o sexo da pessoa porque está no DNA. Uma pessoa, mesmo após a morte, pode ser identificada se é do sexo masculino ou feminino através do seu esqueleto. Homens e mulheres são iguais na sua essência – ambos têm um corpo e uma alma –, mas são diferentes na sua constituição física.
Segundo essa ideologia sem base científica, todas as pessoas – homens e mulheres – nascem iguais. Uma das consequências desse princípio é um igualitarismo exacerbado com o desaparecimento dos sexos masculino e feminino.
A outra consequência é a abolição do único tipo de casamento verdadeiro que é entre um homem e uma mulher. O homem e a mulher são diferentes biologicamente.  É por isso que eles se complementam no casamento. Se fossem iguais, não haveria como se complementarem. Como todos são iguais, de acordo com a ideologia de gênero, qualquer “casamento” é válido. Assim, as uniões entre pessoas do mesmo sexo, as uniões com membros da própria família e até com animais – pois até lá vai essa loucura! – são válidas. Aparecem, então, vários tipos de “famílias”. O resultado será a destruição da família como Deus a instituiu.
Para “compensar” a diferença biológica entre o homem e a mulher, estabelece-se o aborto e o uso de anticoncepcionais. Isto será um “direito humano” da mulher, o qual tem que ser provido pelo Estado. Assim, afirma Lucila Scavone: “Em um primeiro momento a maternidade foi reconhecida como um handicap (defeito natural) que confinaria as mulheres em uma bio-classe. Logo, a recusa da maternidade seria o primeiro caminho para subverter a dominação masculina e possibilitar que as mulheres buscassem uma identidade mais ampla, mais completa e, também, pudessem reconhecer todas suas outras potencialidades. Por exemplo, a luta política das mulheres  francesas, nos anos 1970, para obter a pílula contraceptiva e o aborto como direito político, possibilitou a efetivação desta recusa.[2] (grifos nossos)
Vinny Ohh de 22 anos, gastou mais de US$ 50 mil
(cerca de R$ 156 mil) em 110 procedimentos
estéticos para se parecer com um “alienígena assexual”.
Tudo isso indica o fim da família e da sociedade, da qual a família é o núcleo. Teremos uma sociedade sonhada pelo demônio onde o homem já não seria a imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26). Tal sociedade se me afigura um pesadelo ou um filme de terror, com pessoas assexuadas e mais de 60 tipos de “gêneros”, segundo as mídias sociais.
*      *       *
Estamos, pois, diante de uma revolução que visa mudar não só a sociedade, mas também o homem. A maioria das revoluções, contudo, foram feitas com guerras e custou a vida de milhares de pessoas. A ideologia de gênero, por sua vez, é uma revolução pacífica. Ela não usará armas letais, mas será imposta pela legislação e pelo Poder Judiciário de cada nação mediante a prisão e pesadas multas para aqueles que se opuserem. Provam-no fatos recentes acontecidos nos EEUU, na Alemanha e na Noruega.[3]
Se a ideologia de gênero for a batalha final de que fala a Irmã Lúcia, já vislumbramos em seu termo o Reino de Maria, com o cumprimento da promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!
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[2] Lucila Scavone, “A maternidade e o feminismo: diálogo com as ciências sociais” – http://www.scielo.br/pdf/cpa/n16/n16a08.pdf – acessado em 12/10/2017


domingo, 8 de outubro de 2017

A batalha continua…

A batalha continua…


Tramitava desde agosto de 2015 o Plano Nacional de Educação (PL 1038/15) –– o qual fazia referência à ideologia de gênero que seria introduzida nos currículos escolares ––quando, em 14 de junho de 2016, graças ao esforço do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e de muitos defensores da instituição familiar (através de telefonemas, envios de e-mails, fax, contatos com parlamentares etc.), o referido plano foi aprovado, só que sem menção a essa famigerada ideologia. A campanha de e-mails do IPCO enviou 78.548 mensagens aos deputados de São Paulo.
Contudo, os inimigos da família continuaram a agir como se não tivessem sofrido uma fragorosa derrota, não só no Estado de São Paulo, mas na maioria das cidades brasileiras e, especialmente, no Congresso Nacional.
Assim, trava-se atualmente em diversos colégios e universidades uma renhida batalha a propósito da implantação de banheiros destinados à esdrúxula diversidade de “gênero”. A Câmara Municipal de Barretos (SP), por exemplo, convocou a população para uma audiência pública no dia 21 de setembro a fim de debater sobre o assunto. [1]
Como, de acordo com o PL 1038/2015, não há base legal para a implantação da ideologia de gênero nas escolas, o vereador Raphael Aparecido de Oliveira (PRP) alega que, “segundo o Governo do Estado de São Paulo, as escolas devem seguir a Lei Estadual nº 10.948, que versa sobre discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero”. Essa lei, entretanto, não faz referência à “identidade de gênero” nem a banheiros, mas à “prática de discriminação em razão de orientação sexual”.[2]
Tal manobra, porém, chamou a atenção do bispo diocesano de Barretos, D. Milton Kenan Júnior (foto ao lado), especialmente pela insistência do Estado em implantar a ideologia de gênero nos colégios. “Causa preocupação o fato de o Estado brasileiro num momento de tanta fragilidade política e social, insistir por implantar nas escolas públicas ações que não erradicam a discriminação ou o preconceito (no caso dos homossexuais, discentes travestis e transexuais), mas corroboram com a falência da instituição familiar e a devastação de valores que promovem a família e a dignidade da vida humana” – observou o Prelado.
Nesse sentido, adverte que “admitir a sexualidade como ‘construção social’ é relativizar o que há de mais sublime na existência, ou seja, a maternidade, a família, a religião, a ética, a tradição, os valores culturais”. (grifo nosso)
Reduzir o tratamento da ‘identidade sexual’ a um conjunto de medidas sem considerar as implicações na vida pessoal, social e comunitária dos indivíduos e, sem ouvir todos os interessados como as famílias, os educadores, as igrejas e os que estão mais próximos da formação das novas gerações soa como uma atitude arbitrária” ––  assinalou o prelado.
Segundo os promotores dessa ideologia, existem mais de 60 tipos de “gêneros”. Como é impraticável e economicamente inviável a construção de um banheiro para cada gênero, certamente manterão os dois banheiros, masculino e feminino, mas em lugar das palavras “homem” e “mulher” colocarão um símbolo indicando todos os “gêneros”. Esta é a meta, ou seja, a extinção dos sexos conforme Deus os criou!
Como podemos notar, essa batalha nada tem a ver com banheiros, mas com a quebra –– através de um igualitarismo revelador de uma profunda revolta contra a ordem estabelecida por Deus no Universo –– das últimas barreiras existentes entre as pessoas, quais sejam as diferenças entre os sexos. Rompem-se também assim os últimos vestígios da modéstia, do pudor e do respeito que deve existir entre as pessoas de sexos diferentes, privando-as deste indispensável muro de proteção sem o qual em nada elas se diferenciam dos animais.
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O que diria Pio XII sobre “artes” blasfemas?

O que diria Pio XII sobre “artes” blasfemas?


Por Jurandir Dias

           
Dante diz na Divina Comédia que as obras dos homens são netas de Deus, porque realizadas por filhos de Deus.[1] Poderíamos então dizer o mesmo em relação ao demônio, de quem as apresentações do Queermuseu em Porto Alegre, da peça blasfema “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” e de muitas outras podem ser consideradas netas, pois foi ele que as inspirou aos seus realizadores com o objetivo de ofender a Deus.

            Se arte “é a reta razão de fazer algumas obras” e a beleza é o reflexo de Deus, pois “o ser de todas as coisas deriva da Beleza divina”, como define Santo Tomás de Aquino, a blasfêmia não pode ser considerada arte.[2]

            “Santo Tomás define o belo como sendo o que agrada ver (pulchrum es id quod visum placet) ou o que agrada pelo conhecimento”. A beleza é o que causa satisfação aos sentidos. O ouvido se deleita com uma bela música e a vista com uma bela pintura, por exemplo. Mas a acessibilidade ao belo através dos sentidos só é possível porque estes estão penetrados pela razão.[3]

            Em seu célebre ensaio Revolução e Contra-Revolução, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreve que “Deus estabeleceu misteriosas e admiráveis relações entre certas formas, cores, sons, perfumes e sabores e certos estados de alma, é claro que por estes meios se podem influenciar a fundo as mentalidades e induzir pessoas, famílias e povos à formação de um estado de espírito profundamente revolucionário. Basta lembrar a analogia entre o espírito da Revolução Francesa e as modas que durante ela surgiram. Ou entre as efervescências revolucionárias de hoje e as presentes extravagâncias das modas e das escolas artísticas ditas avançadas”.[4]
            Ao defender a exposição blasfema de Porto Alegre, diz Alexandre Karnal: Arte em si não tem utilidade. Arte é um diálogo total com a subjetividade humana, ou seja, arte é aquilo que eu consigo ser humano, expressar todas as capacidades da criação humana chocando, embelezando ou até atacando valores. Arte me desinstala, me tira de onde eu estou, foge do senso comum.”  [5]

            Em entrevista ao jornal Nexo, o filósofo Renato Janine critica a sadia reação das pessoas que se manifestaram contra a exposição nudista no Museu de Arte de São Paulo, classificando-a como resultado da ignorância do povo: “Está em jogo a ignorância. As pessoas nem procuram se informar do que se trata e já reagem. As que invadiram o MAM provavelmente defendem a autoridade dos pais sobre os filhos. No caso, a criança estava acompanhada da mãe, havia avisos [do museu sobre o conteúdo], a mãe autorizou que a criança tocasse na perna do artista. (...) Elas simplesmente têm uma reação ideológica, de ódio. Isso é muito preocupante porque estão fazendo a ignorância e intransigência delas prevalecer sobre a complexidade das coisas.”[6]  Ora, se a criança que passou a mão sobre o corpo nu do “artista “ estava acompanha da mãe, torna o fato ainda mais grave.

            O filósofo inglês Roger Scruton, por sua vez, observa que “se uma obra de arte não é nada mais que uma ideia, qualquer um pode ser um artista e qualquer objeto pode ser uma obra de arte. Não há mais necessidade de habilidade, gosto ou criatividade.
            “Então, a arte de hoje nos mostra o mundo como ele é, o aqui e agora com todas suas imperfeições; mas o resultado realmente é arte? Certamente uma coisa não é uma obra de arte somente porque mostra um pedaço da realidade (a feiura incluída) e se autointitula ‘arte’. A arte precisa de criatividade, (…) ela é um chamado para que os outros vejam o mundo como o artista o vê”. [7]
            Pio XII condenou todo tipo de arte que “falta gravemente à ordem moral” e também aqueles que a divulgam sob o pretexto de que tal arte tem “valor artístico e técnico”:

Cristo entrega as chaves a São Pedro
 e o institui fundamento único da Igreja
“A Igreja, que protege e apoia o desenvolvimento de todos os verdadeiros valores espirituais — tanto as ciências quanto as artes A têm tido como Patrona e Mãe — não pode permitir que se atente contra os valores que ordenam o homem para Deus, seu fim último. Ninguém deve, pois, surpreender-se de que nesta matéria que requer, também, muita prudência, Ela tome uma atitude de vigilância, conforme a recomendação do Apóstolo: "Provai todas as coisas; retende o que é bom; abstende-vos de toda aparência de mal" (1 Tess. 5, 21-22).

“É necessário, portanto, condenar os que ousam afirmar que determinada forma de difusão pode ser explorada, valorizada e exaltada, mesmo se falta gravemente à ordem moral, contanto que tenha valor artístico e técnico. É verdade que a arte — como relembramos por ocasião do V Centenário da morte do Angélico —, para ser tal, não precisa necessariamente cumprir uma missão ética ou religiosa explicita. Mas se a linguagem artística se adaptasse, nas palavras e cadências, a espíritos falsos, vazios e perturbados, isto é, se, desviando-se dos desígnios do Criador, em vez de elevar o espírito e o coração a nobres sentimentos excitasse as paixões mais vulgares, ela encontraria via de regra uma acolhida favorável, mesmo que fosse apenas em virtude da novidade, que nem sempre é um valor, e da tênue parte de real que toda linguagem contém. Tal arte, todavia, se degradaria, renunciando a seu aspecto primordial e essencial, e não seria universal e eterna como o espírito humano a quem se dirige". — (Encíclica Miranda Prorsus, sobre o Cinema, o Rádio e a Televisão, de 8-IX-1957). ("Catolicismo", nº 92, agosto de 1958)[8]

Na época de Pio XII, entretanto, os revolucionários ainda não tinham ousado a usar a arte para blasfemar contra Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora, a Eucaristia etc. O que diria esse Papa se vivesse em nossos dias? O que diria ele também do silêncio desconcertante da Hierarquia católica diante de tais fatos?



[1] ALIGHIERI, Dante. Divina Comédia. Inferno, Canto XI, v.105.
[3] Jolivet, Régis. Tratado de filosofia III. Metafísica. Rio de Janeiro: Agir, 1965, p.259 
[4] Plinio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução”, cap. 10 – 2.
[5] https://www.youtube.com/watch?v=6WuRmUBsRDI

sábado, 30 de setembro de 2017

Não tomarás o seu Santo nome em vão

Não tomarás o seu Santo nome em vão

Por Jurandir Dias


Estamos vivendo uma época de cataclismos: furações, terremotos, maremotos etc. Entretanto, há um “cataclismo” pior, do qual a maioria das pessoas não se dá conta. Trata-se da maré negra de blasfêmias que há tempo vinha ocorrendo nos Estados Unidos e que atinge agora a nossa Pátria, tomando proporções inimagináveis.

Uma exposição em Porto Alegre demonstrava um ódio profundo à religião católica, atingindo o que a Igreja tem de mais precioso, que são a Eucaristia, Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora. Graças aos protestos de importantes setores da sociedade, essa mostra foi fechada antes do prazo previsto.

Contudo, os inimigos da religião continuam suas investidas anticristãs com a peça blasfema "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que apresenta Jesus Cristo como um transexual. Novamente Nosso Senhor Jesus Cristo é ultrajado.

Esta apresentação foi interditada em Jundiaí por decisão do juiz Luiz Antonio de Campos Júnior (foto ao lado), da 1ª Vara Cível da cidade. Para ele, figuras religiosas e sagradas não podem ser "expostas ao ridículo": ”Muito embora o Brasil seja um Estado Laico, não é menos verdadeiro o fato de se obstar que figuras religiosas e até sagradas sejam expostas ao ridículo, além de ser uma peça de indiscutível mau gosto e desrespeitosa ao extremo inclusive”, concluiu o magistrado.[1]

Já em Porto Alegre, o desfecho não foi o mesmo. Sob a alegação de liberdade de expressão, o juiz José Antônio Coitinho, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, indeferiu o pedido de suspensão da peça blasfema. Em sua decisão, afirmou que "censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano". E acrescentou: “Não se pode censurar a peça sob o argumento de que não estamos de acordo com o seu conteúdo”.

Sem nenhuma base legal, diz um trecho da sentença: "E, sem citar um único artigo de lei, vamos garantir a liberdade de expressão dos homens, das mulheres, da dramaturga transgênero e da travesti atriz, pelo mais simples e verdadeiro motivo: porque somos todos iguais,[2]
Com o claro intuito de promover a famigerada ideologia de gênero, continua: "Transexual, heterossexual, homossexual, bissexual, constituem seres humanos idênticos na essência, não sendo minimamente sustentável a tese de que uma ou outra opção possa diminuir ou enobrecer quem quer que seja representado no teatro".
Espanta que um Juiz possa proferir uma sentença sem citar nenhum artigo de lei. Além de ser uma blasfêmia representar Nosso Senhor Jesus Cristo como um transexual, trata-se também de difamação e escárnio. Se a lei protege todos os brasileiros contra a difamação, por que não protegeria Nosso Senhor Jesus Cristo?

O juiz Coitinho age como Pilatos, que proferiu a sentença infame para agradar a maioria. A única diferença é que agora não se trata de maioria, mas de uma minoria cujo lobby, com o apoio de certos magistrados, da mídia e de empresas como o Santander e o Itaú, faz muito barulho.

Por outro lado, esse Juiz parece desconhecer o artigo 208 do Código Penal, que proíbe:
Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.”

Alguém poderia objetar que a liberdade religiosa concede a todos o direito dizer o que queiram sobre religião. Este é o princípio da liberdade religiosa. Contudo, este direito não vai ao ponto de alguém atacar os direitos de terceiros. Assim, se Nosso Senhor é ofendido ao ser apresentado como um travesti ou transexual, do mesmo modo são ofendidos todos os cristãos.

Por acaso esse Juiz considera que a tão propalada “liberdade de expressão” se sobrepõe até à legislação e à própria liberdade de consciência dos indivíduos?

“A verdadeira liberdade de expressão jamais pode ser interpretada como a liberdade de investir contra os princípios religiosos, sociais e políticos que os dados mais rudimentares da razão natural, da Moral e da Revelação apontam como indiscutíveis”, diz recente manifesto do IPCO.[3]

A propósito de uma discussão a respeito do uso do Crucifixo em repartições públicas, declarou certa vez o Ministro Gilmar Mendes: É uma leitura da Constituição divorciada da cultura judaico-cristã que desenvolvemos. O símbolo não é só religioso, mas de uma cultura que precisa ser reconhecida.” E ironizou: “Essa discussão levada ao extremo pode nos obrigar a revogar o calendário gregoriano.”

Gilmar Mendes lembrou ainda que o próprio dispositivo constitucional que veda a adoção de uma religião pelo Estado — artigo 19, inciso I — faz a ressalva quanto às colaborações de interesse público. “A ênfase na laicidade gera uma interpretação da Constituição de que a religião é uma inimiga do Estado, o que não tem fundamento”, disse.[4]

O jurista Ives Gandra Martins, por sua vez, afirma: “O Estado laico não é ateu ou agnóstico.”

Em recente julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministro Ricardo Lewandowski, ao defender o ensino religioso nas escolas públicas, lembrou que “a laicidade não implica no descaso estatal com as religiões, mas sim na consideração com as diferenças, de maneira à Constituição prever a colaboração do interesse público e as crenças”.

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O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em artigo para um jornal do Rio de Janeiro, afirma que tudo quanto toca na Religião deve ajustar-se às máximas da decência, do respeito e do decoro, que não podem ser violadas. ‘Corruptio optimi péssima’: nada pior do que o trato inadequado dos assuntos sacros.

“Não tomarás o seu Santo nome em vão, diz o Segundo Mandamento, que é indispensável lembrar a este propósito. Como é óbvio, este preceito não se refere só ao nome de Deus, mas a tudo quanto se relaciona com a Religião, a Igreja e a doutrina católica. Qualquer lapso nesta matéria pode facilmente - por vezes inadvertidamente - descambar em irreverência e até em blasfêmia.
Isto pode ser aplicado ao caso da referida peça teatral.